terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Afinal será o futuro?

Ouvi de um economista da FGV que 49% do PIB brasileiro era crédito, isto significa que o nosso consumo/crescimento é fortemente baseado em empréstimos de todo tipo.
Isto isoladamente aponta para um problema, mas o mesmo economista ressalta que parte deste montante esta fortemente aplicado em educação, casa própria e outros consumos de longo prazo e que resultarão em melhoria da condição de vida das pessoas, além de contribuirem positivamente para contrabalancear a nossa baixa poupança interna.
Será este um caminho para o nosso futuro? Creio que sim, mas ele não virá apenas com este tipo de situação, temos de melhorar muito nosso acesso a justiça que segue lenta e defasada em muitos aspectos, temos de aumentar a qualiadae da informaçào que recebemos no dia a dia, temos de aprender a reivindicar o que é ético e não apenas o que nos benificia diretamente, temos de ter acesso a saúde de qualidade como um bem inalienável do ser humano e não como um favor sem conforto, qualidade e dignidade e temos, temos, temos..... Ou seja, é preciso muito trabalho e querer para chegarmos ao futuro idealizado e, para chegarmos bem perto disto, é imperioso aprofundar o acesso a educação, mas não apenas a educação que leva o menino(a) a escola, esta não basta, deve ser a educação que empolga, estimula, muda e nos faz mais humanos e sociais.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Escola

Recentemente tomei conhecimento de uma experiência no campo educacional que está em curso no estado de Pernambuco, são as escolas charter.
Neste modelo, é feito uma parceria entre o Estado e a iniciativa privada, sendo acordado melhorias a serem atingidas que visam o aumento da qualidade do ensino oferecido e do desempenho dos alunos.
O modelo nasceu nos Estados Unidos e vem sendo adotado por países como Nicarágua, Peru, França, Japão e Reino Unido, traz vantagens como a diminuição da burocracia para se manter ou contratar professores e colaboradores, além de maior flexibilidade curricular, permitindo o acréscimo de matérias com maior agilidade, favorecendo a um ensino mais ágil e conteporâneo.
É uma idéia interessante pois a escola se mantém pública para a população, na maior parte dos casos o ingresso é por sorteio, não dispensa a participação do Estado como regulador, pede a participação da socedade organizada para controle e obtenção dos resultados e permite que novas idéias possam proliferar neste campo tão importante para todos nós.
Para mais informações, leiam o reltório sobre a experiência pernambucana no link abaixo.
Um abraço.

http://www.catracalivre.folha.uol.com.br/2010/12/modelos-de-escola-charter/
Bom dia!

O Google segue inovando e cada vez mais presente em nosso dia a dia.
A última novidade é um programa que permite passear pelo corpo humano, visualizando suas estruturas internas nos mínimos detalhes. Porém para se utilizar o programa é preciso ter instalado o navegador Chrome ou nos beta Chrome 9 e Firefox 4, o progroma não roda no Internet Explorer.
Vejam o vídeo de apresentação abaixo.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mais Poesia!

ANINHA E SUAS PEDRAS
Cora Coralina


Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.

E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Crianças??

Ontem, li na revista que sai aos domingos junto com o jornal O Globo, uma matéria que expunha o novo meio de se comemorar aniversários infantis: andando de limusine e bebendo guaraná como se fosse champangne.
Não sou educador ou psicólogo, mas que tipo de ser humano estamos preparando para o futuro da nossa civilização? Serão felizes estes adultos moldados pelo consumo e luxo, desvinculados do mundo real? Senhores pais, estas são necessidades suas ou de seuas filhos?
Ainda trago comigo, as lembranças de um bom banho de mangueira no quintal em dias quentes como o de ontem e da alegria que isto causava.
Adultos não massacrem suas crianças em nome do consumo e da alegria que se compra na TV.

sábado, 6 de novembro de 2010

Um pouco de poesia

O Vento na Ilha (Pablo Neruda)

Vento é um cavalo:
ouve como ele corre
pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como ele corre o mundo
para levar-me longe.
Esconde-me em teus braços
por esta noite erma,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.
Escuta como o vento
me chama galopando
para levar-me longe.
Como tua fronte na minha,
tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa levar-me.
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopando na sombra,
enquanto eu, protegido
sob teus grandes olhos,
por esta noite só
descansarei, meu amor.


Bom fim de semana para todos!!!

Para Pensar

Faz alguns dias postei minhas impressões sobre a eleição da presidenta Dilma Rousseff. Pouco depois veio a tona a informação sobre as manifestações xenófobas publicadas em diversos sites de relacionamento.
Sobre tais manifestações só cabe o mais contundente repúdio. Mas cabe também a leitura da entrevista do antropólogo Marco Antonio da Silva Mello, coordenador do laboratório de Etnografia Metropolitana da UFRJ. A entrevista que reproduzo abaixo foi publicada hoje no site do Jornal do Brasil em:
http://www.jb.com.br/pais/noticias/2010/11/06/antropologo-ataque-a-nordeste-e-desqualificacao-do-voto-do-pobre/ .
Vale muito a pena ler.

Confira a entrevista.

JB - Essas manifestações de discriminação a nordestinos, difundidas na internet, na opinião do senhor, têm raízes no racismo? A questão da desigualdade econômica é uma forma de deixar velada uma espécie de preconceito étnico?

Marco Antônio Mello - Acho que estamos falando de coisas muito diferentes. Uma coisa é preconceito. Outra coisa é racismo. Outra coisa é preconceito étnico e outra coisa são os etnocentrismos que marcam toda formação social, como não poderia deixar de ser, também a brasileira.

Outra coisa são as rivalidades regionais. Isso alimenta toda imaginação sociopolítica brasileira e alimenta também a literatura. E uma das formas de se ter acesso a isso é exatamente através das piadas, dos personagens nos programas humorísticos, na literatura. Você tem alguns, inclusive, que viraram paradigma.

A ideia do caipira, da pessoa que não tem civilidade, que não sabe se orientar na cidade e que, nos livros de geografia, até os anos 70 - livros de titulares da USP -, essa população rural é classificada, como se dizia também, de rústica e essa população, tanto faz do Norte, do Nordeste, do Brasil central, pouco importa, é uma população que se opõe à população do litoral.

Então, você tem uma oposição na imaginação sociopolítica brasileira que, desde sempre, contrapõe o litoral ao sertão. O texto clássico dessa oposição é o Os Sertões, de Euclides da Cunha. Mas em relação exatamente a esse tipo de literatura, você tem uma série de outros que vão se desdobrando ao longo das primeiras décadas do século XX.

Eu não diria que isso é uma manifestação de racismo. Aliás, as pessoas veem racismo em tudo que é lugar, por ignorância. Essas rivalidades existem. Eu diria que são rivalidades cultivadas e os personagens encarnam esses tipos. Tradicionalmente, você tem uma oposição anterior a essa em relação ao Nordeste, que era a entre Norte e Sul. Nordeste só vai existir no Brasil a partir dos anos 20. O que se tinha era nortista e sulista.

Outra coisa são os estereótipos nacionais. Eles também estão presentes nesse debate, sobretudo no anonimato do Twitter, dos blogs, no anonimato que essa rede virtual produz. Você tem várias discussões que se dão nessa rede virtual e que jamais se dariam face a face.

Toda sociedade tem estereotipos. É impossível uma sociedade sem estereótipo, porque ele é uma redução da complexidade do mundo. Eu me relaciono, você se relaciona com pessoas que são simpáticas, gordas, magras, boas, perversas, gentis, inteligentes, cultas, civilizadas, polidas...

Esses estereótipos não carecem, necessariamente, de uma referência no mundo real. É verdade que você tem uma oposição entre Sudeste e Nordeste do ponto de vista do acesso aos recursos econômicos. Chegou a se falar, inclusive, num passado não tão distante assim, de uma espécie de colonialismo interno, na medida em que os recursos produzidos na Região Nordeste vinham para o Sudeste e não retornavam para o Nordeste.

Acho que, na atual conjuntura, ou seja, numa eleição como essa que acabamos de enfrentar, era muito esperado que isso tudo aparecesse e florescesse, sublinhando, com mais ou menos rigor caricatural, essa oposição. De qualquer maneira, nós estamos vendo, e não é nenhuma novidade na vida política brasileira, um peso dado a um polo da população - estou falando de demografia - e, por sua vez, essa população expressa uma espécie de questão mais ampla que estrutura a sociedade brasileira. Realmente, essa rivalidade entre São Paulo, por exemplo, e o Nordeste é grave.

Estou chamando a atenção que uma coisa são os estereótipos nacionais, outra são preconceitos, ou seja, pré-noções desenvolvidas através desses estereótipos; outra coisa são rivalidades regionais cultivadas.

JB - O senhor acha que nessa situação específica há esses três elementos?

Isso mesmo, mas não tem nada a ver com racismo. Eu, como antropólogo, não posso concordar com isso. São coisas muito diferentes e que têm consequências muito diferentes.

JB - O senhor falou de estereótipos. Há quem atribua aos nordestinos a vitória de Dilma Rousseff, embora os números refutem esse argumento. A crítica é que a petista conseguiu votos graças ao Bolsa Família, chamado pejorativamente de "bolsa esmola". Está aí implícia a ideia de que o povo nordestino é preguiçoso, não quer trabalhar, mas ser "sustentado pelo Sudeste". O que, na avaliação do senhor, é a matriz dessa ideia?

Não há a menor dúvida que o Nordeste concentrou uma massa muito grande de votos favoráveis à candidata do partido governo, mas ela ganhou também em muitos outros estados. Isso é uma representação para dizer que os votos dados a Dilma são votos de pessoas ignorantes, fanáticas em matéria de política e, inclusive, em matéria de vida religiosa e avessas às mudanças e ao progresso.

Tudo isso que acabei de dizer está publicado em um livro de geografia, de um titular da USP, chamado Delgado de Carvalho. Esses estereótipos vêm desde o século XIX, aparecendo nos livros didáticos e as reedições não apresentam revisões críticas, com notas sobre como era o quadro do pensamento social da época. O problema todo é que você tem também no século XIX, uma discussão que vem pelo século XX, que é a ideia de que se há uma ecologia que produz mentes apequenadas. O deserto, a caatinga, o sertão.



JB - Então, essas manifestações de discriminação veem de longa data, partem do mesmo princípio?

É o mesmo princípio e que atravessa nossa imaginação. Nós, brasileiros, quando olhamos para nosso próprio País, querendo ou não, essas imagens estão presentes. É preciso trabalhar sobre elas, que é o que você está fazendo. Refletir sobre uma proliferação de acusações, em que se atribui o fato de ter perdido as eleições a um agente desagregador, portador do infortúnio, que são os "miseráveis do Nordeste", incapazes de refletirem. Acho que é isso que estão querendo dizer.

Então, era mais do que esperado. Você imagina o que os nordestinos achavam também da política café-com-leite, das alianças entre São Paulo e Minas Gerais? Houve o mesmo tipo de problema em relação aos políticos do Rio Grande do Sul. Eles apareciam como caudilhos, como populistas, como pessoas capazes de alienar as massas. É a mesma coisa.

Evidentemente, Bolsa Família não é "bolsa esmola". Não há sociedade que possa se defrontar com questões da pobreza e de dificuldades de acesso de recurso que não promova políticas compensatórias ou recursos dessa natureza. Também não há novidade nenhuma. A minha colega, a professora falecida Ruth Cardoso, também incrementou um projeto dessa natureza.

JB - Então, o senhor considera também que se trata de uma tentativa de desqualificar o voto dos mais pobres?

Lógico. Esse é o ponto fundamental. Numa sociedade que era escravocrata até bem pouco tempo atrás, marcada por hierarquias, numa sociedade em que não há menor escrúpulo em se perguntar " Você sabe com quem está falando?" Realmente, querem desqualificar o voto do pobre. Se pudessem, impediam quem não tem diploma na Sorbone de votar.

O caso do Tiririca é um caso assim. Não estou discutindo o mérito se ele é ou não alfabetizado. De repente, isso aparece como uma questão fundamental e, por trás dessa questão, o problema de como os miseráveis são capazes de votar se não sabem escolher.

Para você ver como é um pensamento que atravessa várias áreas. O Ministério Público chama essas pessoas, por exemplo, em certas circunstâncias, de hipossuficientes. Então, elas têm que ser administradas pelo Estado. O MP aparece com uma coisa maravilhosa, genial, que está defendendo os interesses dos hipossuficientes. Na verdade, o que se está dizendo é que são incapazes de dizer o que querem.

Você tem isso o tempo todo, a ideia que os pobres dão o voto da fome, do estômago, não têm consciência, não são capazes de escolher e discernir, como se essa decisão nas classes altas fosse sempre racional, não ocorresse porque o presidente é bonito, porque a mulher é maravilhosa, porque ele fala português corretamente. Entendeu?

A mídia, melhor dizendo, os media, têm uma importância muito grande em relação a isso. Tanto para um lado quanto para o outro. Acho que essa campanha, se teve algo de novidade, foi a proliferação dessa rede virtual e que chegou a ser enfadonha.

De qualquer maneira, esse esforço é um esforço para desqualificação dos pobres, ou seja, uma desqualificação inócua do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo dele foi o governo republicano que mais recursos destinou às universidades públicas brasileiras e à ciência e a tecnologia. Estou dizendo como pesquisador. É uma constatação.Essa desqualificação é, na verdade, uma desqualificação desse fenômeno da vida política internacional.

JB - Voltando para as manifestações de discriminação contra nordestinos. Como o senhor avalia demonstrações aparentemente de ódio? Algumas declarações foram muito contundentes.

Tem umas que você até pode identificar como manifestações odiosas. Outras são estereótipos mesmo. "Tem que matar todo mundo, jogar todo mundo no buraco mesmo". Você pode ser advertido sobre esse modo de falar, mas não necessariamente quem usa esse tipo de expressão quer, efetivamente, destruir todo mundo. Aliás, o presidente também disse que tinha que acabar com umpartido político.

JB - Mas o senhor não vê aí uma ideia implícita de que há uma "raça" superior, algo como "somos melhores"?

Não, não acho. É claro que você pode até desenvolver uma coisa assim, mas não se trata disso. Não diria, analiticamente, que o modo mais inteligente de tratar essa discussão seja através de racismo.

Eu citei o termo, até porque na interpretação da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Pernambuco, a estudante de Direito Mayara Petrusco - apontada como uma das responsáveis por desencadear as manifestações contra nordestinos -, havia praticado crime de racismo.

A legislação brasileira é rica nesses dispositivos. Sai aplicando pra tudo que é lado. Falamos de população e sociedade. Agora estamos falando de um arcabouço político-jurídico que, frequentemente, não tem nada a ver com a sociedade. Esse é o problema.

É por isso que uma comissão do Ministério da Educação quis censurar um livro de Monteiro Lobato ou fazer nota de pé de página. Se um país é incapaz de entender o que é um momento da literatura e o que é a reprodução do racismo, realmente temos que fechar as escolas todas.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eleição 2010

A eleição de Dilma Roussef, traz a possibilidade de várias reflexões, sobre os fenômenos sociais, políticos e econômicos que envolveram este momento singular de nossa história.
Certamente não tenho a pretensão de analisar estes pontos, mas me permito algumas opiniões, são elas:
- O presidente Lula é um ser político como nunca se viu, governar como governou, durante 8 anos, sendo caçado, sendo traído, deixando talvez de ver o que deveria ser visto e ainda assim sair fazendo sua sucessora, é extraordinário.
- Sair com 83% de aprovação, não é, como afirmam seus detratores, algo para quem errou tudo e nada fez ao longo de todo um mandato ou para quem apenas deu continuidade a um projeto anterior.
- O Brasil, apesar do muito que precisa ser feito, não é o mesmo de dez anos atrás, evoluiu, cresceu e possui concretas chances de continuar crescendo e a eleição da presidenta Dilma é uma parte deste amadurecimento, independente do resultado futuro de seu governo.
- Contudo, este amadurecimento não significa o fim do preconceito, da visão estreita que prefere negar a ter o trabalho de avaliar, da prática de desqualificar para justificar, da mesquinha retórica do primeiro eu, depois ..., problema de vocês.
- O governo Lula foi responsável sim, pela saída de milhões da miséria, pela saída de milhões da pobreza e isto contribuiu sim para a vitória de Dilma. Mas como poderia ser diferente?
- Avançamos, pois apesar do Ministro Gilmar Mendes, a lei da Ficha Limpa foi aplicada e muitos fichas sujas já estão buscando outras formas de viver e está foi uma lei, para os esquecidos, desenvolvida com forte base popular.
- O Brasil ainda sofre com a famosa "Síndrome do Cachorro Vira Lata", onde um dos sintomas é não reconhecer em si suas próprias qualidades, isto cabe apenas aos outros. Digo isto pois ainda não esfriou a eleição e jornais, comentaristas, blogs e outros veículos de comunicação já estão a desqualificar a presidenta, afirmando que será um governo apoiado no Lula e com a volta certa de seu criador em 2014. Será que realmente não sabemos escolher uma pessoa com competência para governar nosso país, a tal ponto que a eleita irá precisar obrigatoriamente de um tutor?
- Esta eleição foi uma prova da visão turva que a oposição tem do Brasil. Apelar para o sectarismo religioso, ressuscitar grupos quase esquecidos como a TFP e outros é jogar poeira e atraso em nossas já tão complicadas vidas.
- A presidenta Dilma certamente ganhou com seus méritos, mas contou com a preciosa ajuda de seus adversários, verdadeiros trapalhões, que desde a escolha do candidato até a escolha do seu vice só se enrolaram. Quem pode conceber um vice imposto de forma tão grosseira como foi o caso do Índio da Costa? Estão lembrados?
- A ajuda da oposição pode ser medida, em parte, por uma declaração do ex presidente Fernando Henrique numa entrevista ao jornal Folha de São Paulo, onde diz que não dará mais aval para um partido que não sabe defender suas ações quando era governo. Dê fato, algumas privatizações foram vitais para o Brasil naquele momento, mas o PSDB nunca conseguiu argumentar ou defender isto de forma clara no passado muito menos agora nesta eleição, assim, desunião mais falta de convicção é igual a ponto para Lula e Dilma.
- A eleição foi decidida pela economia, não apenas pela adotada nos altos gabinetes, mas a baseada nos programas de distribuição de renda, que fez com que uma gama enorme de nordestinos, nortistas e outros tantos brasileiros pudesem dinamizar suas economias locais, gerando renda em seus municípios longínquos, mobilizando suas pequenas riquezas, tornando assim, suas vidas um pouco melhor. E não adianta dizer que foi por causa desta "esmola" que a Dilma ganhou, foi pela dinâmica que este repasse gerou no país como um todo e porque nos últimos anos este Brasil foi de fato visto.
- Fica claro também que ainda temos muito que caminhar na busca de relações mais honestas na gestão pública e na profissionalização dos serviços públicos.
- Fica evidente que precisamos sair apenas da meta de atingir o consumo como progresso, que devemos aprimorar nossas instituições, que precisamos aprofundar reformas na educação para que ela de fato qualifique e insira as pessoas na sociedade, que a saúde para todos deixe de ser um fato para poucos e que a impunidade deixe de ser uma possibilidade real e passe a ser um realidade distante.

Não me estenderei mais, estou satisfeito com o momento histórico que vivo, acredito na melhora e dou um crédito a futura presidenta, pela conquista que obteve e pelo passado que a apoia. Espero que sua tão falada austeridade seja devidamente utilizada para o bem deste país rico, de povo simples e nobre ao mesmo tempo.

Um abraço.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dois pesos e duas medidas

O texto abaixo foi publicado na edição do jornal Estadão, de 02/10, pela psicanalista Maria Rita Kehl. Sua cópia foi retirada do site da referida autora (http://www.mariaritakehl.psc.br/busca.php ) e segundo relatos e entrevista da mesma ao portal Terra, teria sido o motivador de sua demissão do jornal.
Vale a leitura, particularmente após o debate entre os candidatos, ontem, na TV Bandeirantes.


Dois pesos...

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apóia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela presidência da república. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da bolsa-família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés-de-chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela bolsa-família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido ,fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. 200 reais é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso Passava-se fome, na certa, como no assustador “Garapa”, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A bolsa família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da bolsa família, que apesar de modesta, reduziu de 12 para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem idéia do quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de 200 reais? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou este efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas em seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do país. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do país, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática , parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Um pouco de História

O texto abaixo foi retirado do blog Alma Lavada, da jornalista Fernanda Dannermann (http://www.jblog.com.br/almalavada.php?itemid=23467 ), vale a leitura.
Bom proveito e uma boa semana para todos.


Um beijo para a Imperatriz Dona Leopoldina
06/09/2010 - 22:00 Enviado por: FDannemann

Passei o dia com a vassoura na mão, a pleno vapor na faxina: Juliene, minha ajudante nos assuntos domésticos, andou com problemas pessoais. Mas o que achei graça foi quando o rapaz que limpa os vidros de casa chegou e, ao me ver de faxineira, questionou, surpreso:

-- A senhora consegue?!

Foi tiro e queda: meu pensamento se deteve no “consegue” e acabei divagando sobre os “grandes” desafios da mulher. Para muitas, sei que é preferível pagar o Tom Cruise para a “missão impossível” de limpar a casa ou fazer o almoço.

Mas com a proximidade do 7 de setembro, uma coisa se juntou à outra e me lembrei de uma das minhas maiores heroínas, a Dona Leopoldina, que conseguiu a liberdade do Brasil mas, infelizmente, não foi valorizada dentro de casa. E, tempos depois, caiu no esquecimento do próprio povo que ajudou a emancipar.

Quase 200 anos a separam de suas iguais de hoje, e vejo que os maiores desafios da mulher pouco mudaram neste meio-tempo: reconhecimento e valorização.

Temos por “Rainha do Brasil” a dona Carlota Joaquina... a espanhola que odiava este país e que, ao voltar para a Europa, deixou para trás até os sapatos, porque “desta terra não queria nem a poeira”. Para mim, a verdadeira rainha do Brasil foi a Imperatriz Leopoldina, que saiu da Áustria para tornar-se brasileira de coração e fé.

Como é comum acontecer com esposas de homens importantes, Dona Leopoldina acabou relegada às sombras, ainda que tenha sido ela a verdadeira responsável pela Independência __quando, na condição de regente, assinou o decreto que separava o Brasil de Portugal e, então, avisou ao marido com uma carta.

Cinco dias depois da tal assinatura, Dom Pedro recebeu sua mensagem, às margens do Ipiranga e, diante disso, fazer o quê? Teve que proclamar.

Descrita como culta e ótima caçadora, Dona Leopoldina, pertencendo a uma das mais tradicionais dinastias européias, a Casa de Habsburgo, foi preparada para reinar: chegou a surpreender até mesmo o sogro, que, segundo consta, entre uma e outra coxa de galinha, reconheceu sua superioridade diante de Dom Pedro. Lamentavelmente não era feliz no casamento: o marido, assumido mal-educado, tinha um coração aventureiro e preferia um tipo bem diferente de mulher.

A figura quase mítica de Domitila de Castro __a Marquesa de Santos__ popularizada na novela por Maitê Proença, entrou para a história como “verdadeiro amor de Dom Pedro”, esgarçando ainda mais a imagem de Dona Leopoldina e colocando-a até como “empecilho” pelos mais românticos.

Como me espanta a invisibilidade de nossa Imperatriz! Eu mesma sou uma prova disso: cresci achando Dom Pedro o máximo, com a idéia da gloriosa cena do grito “Independência ou morte!” lançado ao Ipiranga pelo herói nacional... da mesma maneira, muitíssimas pessoas nem desconfiam que, por trás do herói, estava Dona Leopoldina.

Mergulhada na depressão, ela morreu cedo e grávida. A causa de sua morte segue envolta em divergências, mas é bem conhecida a versão de que teria sido provocada por uma surra de pontapés dada pelo marido intempestivo justamente por causa da amante, e na presença desta, inclusive. Qualquer que seja a verdade, o fato é que morreu amada pelo povo e humilhada dentro de casa.

Enquanto faço minha faxina, penso em quantas mulheres sofrem este mesmo destino: desvalorização, desrespeito, esquecimento... então me lembro que, em poucas semanas, duas mulheres receberão votos do povo para chefiar esta nação. E, ao que parece, uma delas será eleita. De onde estiver, Dona Leopoldina há de se sentir orgulhosa do país que ajudou a construir, ainda que quase ninguém se lembre mais dela.