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sábado, 27 de julho de 2013

A máscara do Rio precisa cair

 Por Arnaldo Block

Lembro-me bem da manhã ensolarada, dois anos atrás, em que fui visitar o Pavão-Pavãozinho, em Ipanema, que havia virado UPP. Achei interessante, mas estranhei aquela fachada com cara de prédio residencial, o elevador bonito, panorâmico, e o grande corredor estilo sci-fi levando a uma porta, uma simples porta, que, ao abrir-se, dava, finalmente, para a realidade: a favela de sempre, com suas vielas e sua miséria.
Tomava guaraná numa birosca quando se iniciou um tumulto. Nada demais, briga familiar, um primo louco mamado levando um “pedala”. Chamou-me atenção um pitbull solto que resolveu não atacar ninguém, embora tenha me olhado com desconfiança.
De lá para cá, o Rio viveu uma euforia: outros morros libertos, choque de ordem, Copa do Mundo e Olimpíadas no papo, pré-Sal: anunciava-se um ciclo de ouro para a cidade, com explosão hoteleira, maquiagem das praias, Porto Maravilha, BRTs, algo jamais visto, nem quando o Rio era capital.
Cabral não cabia em si. Paes era só paz. Beltrame, o paladino da Justiça. Não havia quem, impunemente, não comprasse a ideia. E quem ousasse dizer um “ai”, pedir prudência, era tachado de inimigo, espírito de porco, na contramão das evidências.

sábado, 29 de junho de 2013

Rio de Janeiro: protestos V

Amanhã, como não pode deixar de ser, deve acontecer uma nova manifestação PACÍFICA nas proximidades do Maracanã.
A concentração está marcada para às 10 horas, na Praça Saens Pena, na Tijuca e a organização pede que se evite afrontas e provocações. A questão é reivindicar e conquistar nossos direitos e não destruir o pouco que temos.
Espero honestamente que seja pacífica e que se algum paspalho aparecer com ideia de tocar horror, que ele seja rapidamente identificado e devidamente enquadrado.
Espero ainda que nossas autoridades tenham revisto a forma de conduta da nossa polícia e que os treinamentos que foram tão alardeados nos jornais e TVs ao longo dos últimos anos de fato sirvam para alguma coisa.
Para estes últimos, deixo o vídeo abaixo como um pedido.

sábado, 22 de junho de 2013

Rio de Janeiro: protestos III

Um chute nos serviços públicos de má qualidade

O Rio de Paz mais uma vez comprovou que é possível fazer manifestações de modo pacífico. Levou às areias de Copacabana 500 bolas pintadas com uma pequena cruz vermelha representando

Rio de Janeiro: protestos II

O Rio de Janeiro vinha vivendo uma falsa euforia que parece abalada com os protestos desta semana.
Com a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora em algumas comunidades da cidade, especificamente as comunidades que ficam no entorno ou próximo aos locais dos futuros eventos na cidade e a consequente diminuição da violência diretamente ligada ao tráfico de drogas, vendeu-se a ideia de que todos os problemas

Rio de Janeiro:protestos

O que vejo no Rio de Janeiro hoje muito me alegra.
Já era a hora de mostramos nossa tão falada indignação de forma clara para aqueles que ocupam os cargos de gestores da nossa cidade.
O Rio dos últimos anos se transformou em um palco de oportunidades para poucos ganharem muito sem dar satisfação a quase ninguém.
Me alegra ver as pessoas comuns desta cidade  constrangerem do governador viajador e seus secretários de lenço na cabeça nas ruas de Paris a empresários como o senhor Cavendish que "desapareceu" estrategicamente , pois juntos eles são responsáveis pela reforma

sábado, 13 de abril de 2013

Extermínio Público.

Pouco a pouco a prefeitura do Rio de Janeiro vem "eliminando" seus funcionários da saúde e sua rede própria através do fechamento de algumas das suas unidades. 
Primeiro a maternidade Praça XV, depois um hospital dedicado à mulher em Curicica e agora o pequeno Sales Neto no bairro do Rio Comprido, unidade de atendimento pediátrico que será fechada sem qualquer explicação. Seus funcionários já foram comunicados que ou escolhem outro lugar ou estão fora e segundo consta, tudo foi decidido sem qualquer consulta ou informação prévia.
Curioso uma prefeitura fechar uma unidade pediátrica quando não existe outra para substituir. Parece uma forma escusa de se criar a necessidade de uma OS da saúde, prontinha para atender a demanda existente, desde que haja um régio contrato para tal, claro!.
E tudo isto acontecendo com o silêncio quase cúmplice da nossa imprensa.
Um abraço.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval.

Que no carnaval se busca a descontração, todos sabemos, mas mesmo neste período cabe uma reflexão.
De diversas formas e maneiras vejo uma profusão de "celebridades" circulando e mostrando seus sorrisos empresariais para que nossa gente acredite que fazer, beber, comer ou usar algo é importante e necessário.
Nada contra quem aumenta seu "PIB" particular desta forma, pois até onde sei, estas "celebridades" não são coagidas a participar destes eventos e nem coagem as pessoas a acreditarem em suas "opiniões e afirmações".
O que me causa arrepios é ver um monte de dinheiro sendo depositado fora do país, já que a ilustre celebridade recebe aqui e leva para seu país de origem, ao invés de ser doado para um centro de pesquisa ou uma universidade brasileira.
A ideia pode parecer estranha, mas é muito comum na terra de uma atriz estrangeira que por aqui esteve, regiamente paga por uma cervejaria nacional. Lá, pessoas sicas ou jurídicas doam grandes somas para universidades e centros de pesquisa, com o único intuito de vê-las funcionando mais e melhor.
E porquê fazem isto? por entenderem, talvez, que investir no seu país pode ser muito mais lucrativo do que gastar dinheiro com "celebridades" de momento, por avaliarem, talvez, que se melhorarem o país de forma consistente estarão melhorando as suas vidas e as das gerações que virão.
Repito, nada tenho contra quem ganha seu dinheiro assim e entendo claramente que a empresa privada pode gastar seu lucro onde quiser, mas desejo poder ouvir no próximo carnaval que no lugar do gasto com a vinda de algum "grande astro" uma grande empresa doou uma importante soma de dinheiro para uma universidade ou centro de pesquisa brasileiro e que isto possa ser aplaudido como uma ato célebre.
Um abraço.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Falta Autoridade

Duas coisas,eu posso dizer do episódio(Cabral/Cavendish/Cachoeira).
A primeira é que seu estrago poderá repercutir negativamente na campanha da reeleição de Eduardo Paes.
Segundo, o que não minimiza a gravidade do caso, é que somos obrigados a ser pautados exatamente por quem sempre foi nossa melhor pauta nesses temas.
Como na máxima de Ulysses Guimarães, Garotinho suja a denúncia que faz porque, no seu caso, não busca culpados, mas cúmplices.


Retirado do Blog do Moreno, em:
http://oglobo.globo.com/pais/moreno/posts/2012/05/05/coluna-nhenhenhem-de-hoje 443575.asp

sábado, 21 de abril de 2012

Só feriado na Rio+20

Acabo de ler que o prefeito do Rio vai propor feriado e ponto facultativo nos dias 20, 21 e 22 de junho, devido a realização da Rio+20. Tal solicitação atende a um pedido do governo federal e visa minimizar os transtornos a população devido a presença de chefes de Estados e seus esquemas de segurança.
Ocorre que neste Estado em particular, já temos uma enorme quantidade de feriados, devidamente alongados com os pontos facultativos distribuídos pelos nossos governantes, sem que se avaliem as reais dimensões deste hábito carioca/brasileiro.
Vejamos: este já será um fim de semana prolongado, pois segunda é feriado de São Jorge, daqui a exata uma semana teremos o feriado do dia 1 de maio que será precedido, provavelmente, de outro ponto facultativo por cair numa terça feira, faz duas semanas tivemos o feriado da Semana Santa que durou quatro dias, já que na quinta, dia 5/04 foi ponto facultativo. E não estou contando o carnaval e os próximos que virão. Ou seja, neste breve relato já perdemos três dias; caso a proposta do prefeito vingue, perderemos então 6 dias, já que as datas citadas caem respectivamente numa quarta, quinta e sexta feira.
Estes atos, aparentemente sem grandes consequências, trazem junto consigo uma série de problemas para a população em geral e os mais pobres em particular, como: diminuição do números de dias de aula e do tempo de permanência em sala de aula, alteração para mais tarde das datas de consultas e procedimentos médicos em ambulatórios e hospitais que são marcadas com meses de antecedência e que não serão realizadas, diminuição do tempo de trabalho das intituições judiciárias com aumento ou manutenção da sua famosa letargia, maior dificuldade de acesso aos orgãos públicos devido ao menor tempo trabalhado, etc.
Se queremos ser grandes de verdade, temos de criar já, uma mentalidade onde trabalhar valha a pena por ser compensador financeiramente e socialmente, onde ter a cidade funcionando para seus cidadãos seja sempre uma prioridade, onde se possa realizar um evento sem termos de mudar nossa rotina, onde um dia de escola a menos não seja uma banalidade e onde os governantes se sintam envergonhados de cabular dias de trabalho útéis e necessários a todos.
Um abraço

domingo, 1 de abril de 2012

Informação Escondida

Neste sábado, dia 31, uma arquiteta foi morta e um carro foi atingido por tiros dados por ladrões que roubarem um outro carro no Recreio dos Bandeirantes - Rio de Janeiro.
A arquiteta e o carro foram atacados no Alto da Boa Vista, no trajeto entre a Barra da Tijuca e a Tijuca, localidade que já conta com uma Unidade de Polícia Pacificadora e faz parte de um cinturão imaginário de segurança.
Ocorre que tal notícia, mostra mais uma vulnerabilidade deste sistema de segurança que apesar de baixar os diversos indíces de criminalidade, está longe de ser a panáceia divulgada.
E, mais curioso ainda, é que praticamente só o jornal O Dia, versão digital, vem dando cobertura ao caso, contrastanto com o mais absoluto silêncio dos demais, particularmente dos mais engajados com o atual governante do Estado.
Se minha percepção quanto ao silêncio estiver correta, significa que estamos ainda longe de termos uma cidade para todos, pois se não podemos ver as falhas existentes, e a imprensa livre é fundamental para isto, não poderemos questionar e cobrar as soluções necessárias.