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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ovação Macabra.

Lendo um post do jornalista Jorge Antonio Barros em seu blog, deparei-me com a informação sobre uma reunião entre o secretário de segurança sr. José Mariano Beltrame e moradores/comerciantes da Barra da Tijuca.
Na reunião quando indagado sobre o fim da morte de inocentes durante as operações policiais o secretário, segundo a nota, afirmou:
"- Acho muito difícil. Independentemente do número, vamos continuar trabalhando dessa forma. É complexo. Se eu sei que tem um criminoso com 15 mil cartuchos na Vila Cruzeiro como eu ir ali pinçar isso é que é complexo. Não vou ficar assistindo isso - afirmou o secretário, que foi imediatamente ovacionado pela platéia, formada em grande por moradores e comerciantes da Barra da Tijuca."
Bem, o que pensar então de tal afirmativa? Que temos um problema a ser resolvido e que se houver algum inocente morto durante a implementação, não devemos nos preocupar, pois é um dos efeitos colaterais aceitáveis, particularmente quando este inocente habitar um local inapropriado ou inadequado como uma favela ou comunidade carente qualquer.
Agora, se tal inocente for um de nossos bem criados filhos, aceitaremos de bom grado tal sacrificio e aplaudiremos o secretário? E se o efeito colateral ocorrer em um dos belos condomínios da região onde houve a tal reunião, irão seus moradores achar plausível?
Seguimos tratando nossos problemas de forma sectária e sem o compromisso com a sociedade, pois os que habitam as comunidades onde mais morrem inocentes, queiram ou não, fazem parte da sociedade e são em sua imensa maioria pessoas de honra e do bem. Portanto, é preciso que o Estado vá lá e de forma eficiente retire os poucos ladrões, traficantes e outros facínoras existentes para dar paz, inclusive aos moradores destas regiões conflagradas e não apenas a nós.
Foi aceitando como menor a perda de terceiros que a humanidade criou campos de concentração, limpezas étnicas, apartheids, escravidão e outras aberrações, sem que conseguisse ir a lugar algum.
Viver na paz e buscar a paz se faz com inteligência, educação, responsabilidade, respeito ao ser humano, muito, muito querer e a radical negação da morte, principalmente de inocentes, como algo aceitável.
Para quem desejar ler todo o conteúdo do post citado, clique no link abaixo.

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/posts/2009/11/16/beltrame-admite-que-nao-tera-como-cobrar-metas-para-homicidios-240798.asp

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Morte e Vida

Acabo de ver a cena final de um seqüestrador sendo “neutralizado”- morto – no Rio de Janeiro. Cena bestial, independente da sua lógica e da necessidade existente.
A cena em si, é mais uma de um momento pouco lúcido de nossa sociedade, onde nos escondemos atrás de negros vidros sem nos perguntarmos como e por que um sujeito se convence ou é convencido de que através de um ato completamente desvairado ele vai ser mais gente do que ele foi até então. O que fazemos ou deixamos de fazer para perpetuar tal situação, até quando o sujeito sem nome, idade, família, história anterior vai continuar surgindo para nos aterrorizar e ser abatido como um animal pestilento?
Não aprovo a violência, não acredito nela como solução, embora entenda racionalmente a sua necessidade em situações limites como a ocorrida, mas será que só poderemos contar com esta solução para os nossos problemas? Será que cobrar das autoridades o efetivo emprego do nosso dinheiro onde deve ser empregado não ajuda? Será que não corromper e ser corrompido também não ajuda? Será que agir efetivamente pelo bem coletivo não ajuda?
Estamos há bastante tempo cuidando apenas do nosso umbigo, preocupados mais em consumir do que em discutir, atentos ao último lançamento tecnológico e cegos a perda da convivência que nos melhora e aprimora, achando bonito bravatas sobre quase tudo sem nos perguntarmos se de fato este é o caminho.
Por várias vezes disse a interlocutores que a diferença entre um bom sujeito e um mau sujeito é na maior parte dos casos a presença para um deles de família, casa, educação, ética e respeito ao ser humano de uma forma geral.