segunda-feira, 21 de junho de 2010

Alma

Do livro Camões, sonetos para amar o amor.


Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de te perder-te,

Roga a deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís Vaz de Camões

sábado, 17 de abril de 2010

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa.
O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.
Mario Quintana.

domingo, 11 de abril de 2010

Chuva II

O texto abaixo foi publicado no site do jornal O Dia, em 11/04/2010.

Moacyr Goes: O Brasil da TV e o real
Diretor de teatro de cineasta
Rio - Se o governo do estado gasta 180 milhões de reais, em um ano, com propaganda, não pode estar faltando dinheiro para infra-estrutura. Então, tem razão o governador Sérgio Cabral quando responsabiliza pela tragédia a população que constrói em encostas e a chuva desmedida.

Na TV, passam os comerciais do PAC, peça de ficção do “somando forças”. Na vida real, ficamos sabendo que o Ministério Feudal de Integração, de Geddel Vieira Lima, mandou 65% do orçamento para seu curral, a Bahia, ficando o Rio com minguado percentual para prevenção de catástrofes. Existe o Brasil real e o da ficção, dos projetos bilionários, dos comerciais.

É muito triste escrever sobre isso em meio à dor das pessoas atingidas, mas vamos de tragédia em tragédia lamentando o que não foi feito. O Brasil anda sem GPS, sem plano e sem memória, ao sabor das estratégias para manutenção do poder. Vemos o prefeito do Rio, Eduardo Paes, dar nota zero à sua administração como se estivesse em campanha de oposição e o de Niterói, Jorge Roberto Silveira, confessar que sabia que famílias moravam sobre um lixão e nada fez para retirá-las. E tudo fica por assim dizer. Há sempre três culpados: Deus, ou a natureza; as administrações passadas ou a herança maldita; e a população ou os que levam suas famílias à áreas de risco, como se estúpidos fossem. Infelizmente, outras calamidades virão, é forçoso dizer.

Assim como projetos irresponsáveis ou descabidos. Três exemplos, apenas? O Maracanã receberá quase 600 milhões de reais para outra reforma, a lei do Peu de Vargens liberou edificações em terrenos alagados e o trem-bala custará o equivalente a 400 quilômetros de metrô no Rio e em São Paulo.

Mas é bom não falar em metrô agora, outra calamidade. O Brasil é imenso e rico, mas não inesgotável.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Chuva II

Que coisa!!!
Trinta dias depois do meu último post, a chuva, nossa velha conhecida, pára de novo a zona norte da cidade.
Tá bem, já sei, choveu mais em uma hora do que todo o previsto para o mês, porém, desta vez descobri que as câmeras da CET - Rio (Comp. de Engarrafamentos de Trânsito - Rio) não funcionan quando chove forte. Tentei diversas vezes acesso ao site e não consegui. Será que é de propósito ou por incopetência?
Sei apenas que continuamos com nossos velhos problemas sem uma nova solução qualquer.
E toma desculpa sem resultado.

domingo, 7 de março de 2010

Chuva

Ufa, é o que posso dizer ao chegar em casa à meia noite, depois de ter saído as 18h e 30min. de Botafogo. Normalmente levo cerca de 30min para fazer o mesmo percurso.
Só que choveu a chuva de sempre do mês de março e a cidade como sempre no mês de março sucumbiu.
Dirá nosso prefeito, compungidamente, que: "a cidade resistiu bem e foram situações pontuais". Resposta esta muito afinada com o discurso ora vigente.
E, assim, seguiremos torcendo para não nos afogarmos, enquanto nossos governantes posam com suas celebridades, com suas notas de êxito, sem se incomodar com o resto , pois, se isto lhes afetasse, certamente não estaríamos mais uma vez nesta situação.
Um abraço.
Wilson Pessanha

terça-feira, 2 de março de 2010

Trinta e cinco anos para ser feliz

Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.
A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.
Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.
Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.
Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.
Outubro de 1998
Martha Medeiros
"Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima.
Houve um tempo em que eu pensava que, para isso, seria preciso nascer de novo, mas hoje sei que dá pra renascer várias vezes nesta mesma vida. Basta desaprender o receio de mudar"
Martha Medeiros

Pessoas

Atualmente as principais escolas de gestão apontam para a necessidade de se valorizar as pessoas como forma de obter sucesso.
Minha experiência profissional, me leva a concordar plenamente.
O trabalhador precisa ser visto como ser humano e ter atendido outros desejos que não apenas o financeiro, sem esquecer este, claro. As pessoas desejam ser ouvidas, terem suas ideias avaliadas e se adequadas vê-las discutidas e implementadas, serem chamadas para se aprimorar, terem a oportunidade de se reciclar ou seja elas querem na maior parte das vezes é evoluir!
Portanto, se trabalhas com um grupo, olhe para ele com atenção e respeito e a maior parte dos problemas de sua equipe serão solucionados.
Um abraço.

Wilson Pessanha.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Só de Sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam
entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo
duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus
pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e
eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança
vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperançavai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz,
mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros
venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples,
regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos
que os precederam:
"Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha"," Esse apontador não é seu, minha filhinha".
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar
e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste:
esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo,
com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,
então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão:
"Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba"
e eu vou dizer:
Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo
a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão:
"É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desdeo primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi:
Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram?
IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo,
mas se a gente quiser,
vai dá para mudar o final!

Elisa Lucinda

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Um plano genial!

Joaquim Rebolão estava desempregado e lutava com grandes dificuldades para se manter. A sua situação ainda mais se agravava pelo fato de ter que dar assistência a um filho, rapaz inexperiente que também estava no desvio.
Joaquim Rebolão, porém, defendia-se como um autêntico leão da Núbia, neste deserto de homens e idéias.
O seu cérebro, torturado pela miséria, era fértil e brilhante, engendrando planos verdadeiramente geniais, graça; aos quais sempre se saía galhardamente das aperturas diárias com que o destino cruel o torturava.
Naquele dia, o seu grude já estava garantido. Recebera convite para um banquete de cerimônia, em homenagem a um alto figurão que estava necessitando de claque. Mas o nosso herói não estava satisfeito, porque não conseguira um convite para o filho.
À hora marcada, porém, Rebolão, acompanhado do rapaz, dirige-se para o salão, onde se celebraria a cerimônia. Antes de penetrar no recinto, diz a seu filho faminto:
— Fica firme aqui na porta um momento, porque preciso dar um jeito a fim de que tu também tomes parte no festim. Já estavam todos os convidados sentados nos respectivos lugares, na grande mesa em forma de ferradura, quando, ao começar o bródio, Rebolão se levanta .e exclama:
— Senhores, em vista da ausência do Sr. Vigário nesta festa, tomo a liberdade de benzer a mesa. Em nome do Padre e do Espírito Santo!
— E o filho? — perguntou-lhe um dos convivas.
— Está na porta — responde prontamente. E, voltando-se para o rapaz, ordena, autoritário e enérgico:
— Entra de uma vez, menino! Não vês que estes senhores te estão chamando?


Extraído do livro “Máximas e Mínimas do Barão de Itararé”, Editora Record – Rio de Janeiro, 1985, pág. 40, organização de Afonso Félix de Souza.