Acabo de ler que o prefeito do Rio vai propor feriado e ponto facultativo nos dias 20, 21 e 22 de junho, devido a realização da Rio+20. Tal solicitação atende a um pedido do governo federal e visa minimizar os transtornos a população devido a presença de chefes de Estados e seus esquemas de segurança.
Ocorre que neste Estado em particular, já temos uma enorme quantidade de feriados, devidamente alongados com os pontos facultativos distribuídos pelos nossos governantes, sem que se avaliem as reais dimensões deste hábito carioca/brasileiro.
Vejamos: este já será um fim de semana prolongado, pois segunda é feriado de São Jorge, daqui a exata uma semana teremos o feriado do dia 1 de maio que será precedido, provavelmente, de outro ponto facultativo por cair numa terça feira, faz duas semanas tivemos o feriado da Semana Santa que durou quatro dias, já que na quinta, dia 5/04 foi ponto facultativo. E não estou contando o carnaval e os próximos que virão. Ou seja, neste breve relato já perdemos três dias; caso a proposta do prefeito vingue, perderemos então 6 dias, já que as datas citadas caem respectivamente numa quarta, quinta e sexta feira.
Estes atos, aparentemente sem grandes consequências, trazem junto consigo uma série de problemas para a população em geral e os mais pobres em particular, como: diminuição do números de dias de aula e do tempo de permanência em sala de aula, alteração para mais tarde das datas de consultas e procedimentos médicos em ambulatórios e hospitais que são marcadas com meses de antecedência e que não serão realizadas, diminuição do tempo de trabalho das intituições judiciárias com aumento ou manutenção da sua famosa letargia, maior dificuldade de acesso aos orgãos públicos devido ao menor tempo trabalhado, etc.
Se queremos ser grandes de verdade, temos de criar já, uma mentalidade onde trabalhar valha a pena por ser compensador financeiramente e socialmente, onde ter a cidade funcionando para seus cidadãos seja sempre uma prioridade, onde se possa realizar um evento sem termos de mudar nossa rotina, onde um dia de escola a menos não seja uma banalidade e onde os governantes se sintam envergonhados de cabular dias de trabalho útéis e necessários a todos.
Um abraço
sábado, 21 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Sobram barreiras, falta união.
Não sou especialista em segurança, ao contrário, sou expert em insegurança.
Mas andando pelo Rio e pelo Brasil noto algo que imagino ser uma prática sem lógica das nossas instituições do setor segurança pública.
Aqui aos delitos são categorizados, cabendo a cada orgão exclusivamente o dever e direito de repreender o infrator.
Como exemplo, cito o carro estacionado sobre a calçada, que quando visto, só será abordado por um guarda municipal, pois a PM, se vê, nada faz, pois esta não é uma atribução dela, independente do incômodo e da pertubação que a atitude mal educada do infrator cause. Se neste caso, o policial ao menos ligasse e informa-se a guarda municipal onde o problema ocorre já teríamos um avanço.
Creio que este simples exemplo pode ser apenas um de muitos; a própria lei seca aqui no Rio, reúne diversos orgãos, já que um só não pode atuar de forma ampla sobre os infratores flagados em vários delitos.
Não sou especialista neste assunto, repito, mas creio que se os nossos políticos e governantes tratassem a questão como um grande problema, que necessita de uma atuação conjunta e sinérgica dos orgãos responsáveis - sem feudos de atuação - talvez conseguissemos uma sociedade mais organizada, educada e com menos violência.
Um abraço.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Tecendo a manhã
João Cabral de Melo Neto
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que amanhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã)que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que amanhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã)que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
domingo, 1 de abril de 2012
Poesia: Aquí
«La vida en la tierra sale bastante barata.
Por los sueños, por ejemplo, no se paga ni un céntimo.
Por las ilusiones, sólo cuando se pierden.
Por poseer un cuerpo se paga con el cuerpo».
W. SZYMBORSKA, Aquí
Informação Escondida
Neste sábado, dia 31, uma arquiteta foi morta e um carro foi atingido por tiros dados por ladrões que roubarem um outro carro no Recreio dos Bandeirantes - Rio de Janeiro.
A arquiteta e o carro foram atacados no Alto da Boa Vista, no trajeto entre a Barra da Tijuca e a Tijuca, localidade que já conta com uma Unidade de Polícia Pacificadora e faz parte de um cinturão imaginário de segurança.
Ocorre que tal notícia, mostra mais uma vulnerabilidade deste sistema de segurança que apesar de baixar os diversos indíces de criminalidade, está longe de ser a panáceia divulgada.
E, mais curioso ainda, é que praticamente só o jornal O Dia, versão digital, vem dando cobertura ao caso, contrastanto com o mais absoluto silêncio dos demais, particularmente dos mais engajados com o atual governante do Estado.
Se minha percepção quanto ao silêncio estiver correta, significa que estamos ainda longe de termos uma cidade para todos, pois se não podemos ver as falhas existentes, e a imprensa livre é fundamental para isto, não poderemos questionar e cobrar as soluções necessárias.
sexta-feira, 30 de março de 2012
A Primeira Pedra
Luís Fernando Verissímo
E os fariseus trouxeram a Jesus uma mulher apanhada em adultério, e perguntaram a Jesus se ela não deveria ser apedrejada até a morte, como mandava a lei de Moisés. E disse Jesus: aquele entre vós que estiver sem pecado que atire a primeira pedra. E a vida da mulher foi poupada, pois nenhum dos seus acusadores era sem pecado. Assim está na Bíblia, evangelho de São João 8, 1 a 11.
Mas imagine que a Bíblia não tenha contado toda a história. Tudo o que realmente aconteceu naquela manhã, no Monte das Oliveiras. Na versão completa do episódio, um dos fariseus, depois de ouvir a frase de Jesus, pega uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, dizendo: "Eu estou sem pecado!"
— Pera lá — diz Jesus, segurando o seu braço. — Você é um adultero conhecido. Larga a pedra.
— Ah. Pensei que adultério só fosse pecado para as mulheres — diz o fariseu, largando a pedra.
Outro fariseu junta uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, gritando: "Nunca cometi adultério, sou puro como um cordeiro recém-nascido!"
— Falando em cordeiro — diz Jesus, segurando o seu braço também — e aquele rebanho que você foi encarregado de trazer para o templo, mas no caminho desviou dez por cento para o seu próprio rebanho?
— Nunca ficou provado nada! — protesta o fariseu.
— Mas eu sei — diz Jesus. — Larga a pedra.
Um terceiro fariseu pega uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a adultera, dizendo: "Não só não sou corrupto como sempre combati a corrupção. Fui eu que denunciei o escândalo da propina paga mensalmente a sacerdotes para apoiar a os senhores do templo."
— Mas foste tu o primeiro a receber propina — diz Jesus, segurando seu braço.
— No meu caso foi para melhor combater a corrupção!
— Larga a pedra.
Um quarto fariseu junta uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, dizendo: "Não tenho pecados, nem da carne, nem de cupidez ou ganância!"
— Ah, é? — diz Jesus, segurando o seu braço. — E aquela viúva que exploravas, tirando-lhe todo o dinheiro?
— Mas isto foi há muito tempo, e a mulher já morreu.
— Larga a pedra, vai.
E quando os fariseus se afastam, um discípulo pergunta a Jesus:
— Mestre, que lição podemos tirar deste episódio?
— Evitem a hipocrisia e o moralismo relativo — diz Jesus.
E, pensando um pouco mais adiante:
— E, se possível, a política partidária.
E os fariseus trouxeram a Jesus uma mulher apanhada em adultério, e perguntaram a Jesus se ela não deveria ser apedrejada até a morte, como mandava a lei de Moisés. E disse Jesus: aquele entre vós que estiver sem pecado que atire a primeira pedra. E a vida da mulher foi poupada, pois nenhum dos seus acusadores era sem pecado. Assim está na Bíblia, evangelho de São João 8, 1 a 11.
Mas imagine que a Bíblia não tenha contado toda a história. Tudo o que realmente aconteceu naquela manhã, no Monte das Oliveiras. Na versão completa do episódio, um dos fariseus, depois de ouvir a frase de Jesus, pega uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, dizendo: "Eu estou sem pecado!"
— Pera lá — diz Jesus, segurando o seu braço. — Você é um adultero conhecido. Larga a pedra.
— Ah. Pensei que adultério só fosse pecado para as mulheres — diz o fariseu, largando a pedra.
Outro fariseu junta uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, gritando: "Nunca cometi adultério, sou puro como um cordeiro recém-nascido!"
— Falando em cordeiro — diz Jesus, segurando o seu braço também — e aquele rebanho que você foi encarregado de trazer para o templo, mas no caminho desviou dez por cento para o seu próprio rebanho?
— Nunca ficou provado nada! — protesta o fariseu.
— Mas eu sei — diz Jesus. — Larga a pedra.
Um terceiro fariseu pega uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a adultera, dizendo: "Não só não sou corrupto como sempre combati a corrupção. Fui eu que denunciei o escândalo da propina paga mensalmente a sacerdotes para apoiar a os senhores do templo."
— Mas foste tu o primeiro a receber propina — diz Jesus, segurando seu braço.
— No meu caso foi para melhor combater a corrupção!
— Larga a pedra.
Um quarto fariseu junta uma pedra do chão e prepara-se para atirá-la contra a mulher, dizendo: "Não tenho pecados, nem da carne, nem de cupidez ou ganância!"
— Ah, é? — diz Jesus, segurando o seu braço. — E aquela viúva que exploravas, tirando-lhe todo o dinheiro?
— Mas isto foi há muito tempo, e a mulher já morreu.
— Larga a pedra, vai.
E quando os fariseus se afastam, um discípulo pergunta a Jesus:
— Mestre, que lição podemos tirar deste episódio?
— Evitem a hipocrisia e o moralismo relativo — diz Jesus.
E, pensando um pouco mais adiante:
— E, se possível, a política partidária.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Congresso Nacional
Se o congresso não se mexer rápido, a frase abaixo, atribuída a Millôr Fernandes, fará todo sentido.
" Repito um velho conselho, cada vez mais válido, sobretudo pro Congresso: Quando alguém gritar “- Pega ladrão”, finge que não é com você.”
Millôr Fernandes.
Um abraço.
" Repito um velho conselho, cada vez mais válido, sobretudo pro Congresso: Quando alguém gritar “- Pega ladrão”, finge que não é com você.”
Millôr Fernandes.
Um abraço.
Senador Demóstenes Torres
O STF - Supremo Tribunal Federal, autorizou à pouco a quebra do sigilo bancário do senador Demótenes Torres filiado ao partido DEM(cadentes). Tal autorização visa esclarecer o possível envolvimento do senador com um famoso contraventor.
Tenho dito repetidamente que vejo o Brasil caminhando devagar e erraticamente para uma situação melhor e apoio este discurso em decisões como a citada acima, que apesar de claras e necessárias eram impessáveis a bem pouco tempo atrás.
E para que possamos andar, repito, temos de contar com as intituições democráticas, como o judiciário, que ao trabalhar em sintonia com a moral de seu povo e seu arcabouço legal, favorece o nosso crescimento.
Um abraço
sábado, 24 de março de 2012
Senador Cachoeira
No Brasil, nada é tão previsível quanto a queda de um moralista como Demótenes
Leonardo Attuch
Que Vossa Excelência perdoe o chiste, mas o apelido é inevitável: Senador Cachoeira! Primeiro, ficamos escandalizados com a revelação de que o senhor, Catão da República, e também moralista número 1 do Congresso Nacional, é um amigo do peito de um dos nossos maiores contraventores. Mais escandalizados ainda com a sua desculpa de que não sabia que Carlinhos Cachoeira se dedicava a atividades ilegais. Depois, novo espanto com a notícia de que essa amizade fraterna era de copa e cozinha, com direito a fogões trazidos dos Estados Unidos. Quando nada mais podia nos surpreender, surgiram as 298 ligações telefônicas, mais de uma por dia, trocadas com o “professor” no período monitorado pela Polícia Federal. Em seguida, a descoberta de que as conversas eram feitas num rádio Nextel trazido dos Estados Unidos – “esta é a minha vida, este é o meu clube”. E agora, de repente, descobrimos que o senhor, senador Demóstenes Torres, também pediu dinheiro ao bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Quer saber se isso nos surpreende? Não. De jeito nenhum. Suas desculpas esfarrapadas é que preparam o terreno para recebermos com naturalidade cada vez maior os fatos novos da Operação Monte Carlo. Se amanhã nos disserem que Cachoeira despachava no seu gabinete, que ele teria financiado sua campanha ao Senado ou que os senhores, além de amigos, eram também sócios, tudo parecerá ser natural. Previsível até. Tão previsível quanto a queda de um moralista no Brasil, terra-mãe de Dercy Gonçalves. Aqui, não há um que resista. E todos os justiceiros que fazem desse método de ação política uma escada para o poder, mais cedo ou mais tarde acabam caindo.
Ocorre que alguns são perdoados. Outros, não. Ensina a sabedoria popular que o povo perdoa o pecador; o pregador, jamais. Então, se vale um conselho, senador Demóstenes, assuma-se como Senador Cachoeira. Defenda a legalização do jogo, apresente bons argumentos (que até existem), mas não tente posar novamente como o único homem probo do Senado, assinando pedidos de CPIs e emparedando adversários com uma moralidade postiça. O povo brasileiro detesta a hipocrisia.
Quanta lama ainda terá que jorrar das cataratas goianas para que o senhor reconheça seus erros e peça desculpas à Nação? Basta dizer a verdade e se assumir como um pecador normal, assim como todos os seus inimigos. É a sua única chance.
Crônica reproduzida do site brasil247.com, copiado de:
Um abraço.
domingo, 18 de março de 2012
Índice de Gestão Municipal
Saiu esta semana um estudo feito pela FIRJAN - Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, que mostra através de um índice como são aplicados os recursos arrecadados por centenas de municípios do país.
É muito interessante, pois aponta os melhores e os piores em matéria de aplicação do seu, meu, nosso dinheiro. Mostra também que com honestidade, boa gestão e pouca ou nenhuma bravata dá para progredir e melhorar a condiçào de vida em nosso País.
Para mais detalhes acesse o link abaixo e veja a situação do seu município.
http://www.estadao.com.br/especiais/mapa-da-gestao-fiscal,164145.htm .
Um abraço.
É muito interessante, pois aponta os melhores e os piores em matéria de aplicação do seu, meu, nosso dinheiro. Mostra também que com honestidade, boa gestão e pouca ou nenhuma bravata dá para progredir e melhorar a condiçào de vida em nosso País.
Para mais detalhes acesse o link abaixo e veja a situação do seu município.
http://www.estadao.com.br/especiais/mapa-da-gestao-fiscal,164145.htm .
Um abraço.
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