quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Brasil !!

O Brasil, apesar dos imensos problemas que posui como: violência,  desigualdade social absurda que afeta a maior parte da população e  constante presença de ladrões nos altos gabinetes da República, é hoje um país visto com otimismo no exterior e que de uma forma lenta, bem lenta e pouco reta vem fazendo o seu dever de casa em vários campos.
Mas, o que temos há muito tempo, com alta qualidade, qualidade esta que atribuo as pessoas comuns deste País e a capacidade de fazermos grandes músicas e em particular, grandes sambas.
É por isto que trago o vídeo abaixo com um samba do Império Serrano, do ano de 1964 e que foi reeditado em 2004, sendo recentemente interpretado pela turma do Monobloco.
Vale ver e ouvir Aquerela Brasileira na interpretação de Sérgio Loroza e Monobloco.

sábado, 15 de outubro de 2011

A Marcha dos Indignados

No Chile, famílias inteiras marchando junto, em Buenos Aires uma marcha agora caminha em direção a Plaza de Mayo, em Barcelona, Madri, Sevilha, Roma, Bruxelas e Nova Iorque apenas para citar alguns lugares, milhares de pessoas se reúnem, sem a presença de partidos políticos, para pedir mudança na forma como o mundo vem sendo conduzido até então.
Estas mudanças passsam por um maior rigor e controle do mercado financeiro, evitando a atual quebradeira com respectiva distribuição dos prejuízos pela sociedade, maior tranparência dos governos e de suas decisões e por uma atuação mais clara e honesta dos políticos.
Em cada um destes lugares deve haver uma diferença ou outra nas reinvidicações, mas, parece-me que o ponto comum é o resgate da cidadania como um bem em si, não como um complemento de uma sociedade globalizada pelo consumo e interesses econômicos de alguns poucos.
No Brasil, na semana passada, nos reunimos pedindo por coisas básicas, mas fundamentais, como uma justiça com senso moral conectado ao da nação,  menos impunidade e conforto aos delinquentes do setor público em geral, por deputados limpos e claros nas suas votações abertas e por mais transparência dos governos em seus atos.
Certamente o que pedimos aqui deve encontrar alguma semelhança em outros lugares do mundo, e se for assim, eis a globalização de que precisamos com urgência.
Um abraço. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Diogo Mainardi em: O Tonto, o Ogro ou os Dois?

Ouvi o comentarista Diogo Mainardi dizer:" entre ter um filho twiteiro e ter um filho drogado, eu prefiro ter um filho drogado"
A frase surgiu hoje (09/10) ao fim de um comentário pejorativo sobre Steve Jobs, a quem o comentarista atribuía a culpa por uma geração de "imbecis que escrevem na rede".
Já faz muito tempo que leio alguns absurdos deste pomposo e arrogante comentarista em revistas brasileiras, mas confesso que hoje ele me surpreendeu com tamanha estupidez.
Fazer tal afirmativa a sério é de uma imbecilidade total e fazê-la de brincadeira é de uma leviandade absurda. E o pior é que uma empresa de TV e anunciantes o pagam para dizer tais absurdos, mas, afortunadamente, o programa em questão dá traço nas pesquisas de opinião.
O que não entendo é como um sujeito sentado em Veneza, tendo como cenário um ambiente cercado de livros pode proferir um absurdo deste e se achar engraçado ou inteligente. 
Ainda bem que o tenho como nada. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Rafinha Bastos, Insultos e TV.

Pouco vejo TV e só hoje tomei conhecimento das "piadas" do apresentador do CQC, Rafinha Bastos, que insultam a cantora Vanessa Camargo Bouais e a esposa do dono da Rede TV.
Programas com supostas piadas e atitudes como esta do citado apresentador estão há muito ofendendo as pessoas e a inteligência do brasileiro, sem que as grandes emissoras de TV brasileiras se importem muito, pois os rendimentos, pagam com folga eventuais riscos e críticas sobre o bom gosto e a decência dos mesmos. 
O apresentador em questão terá que se desculpar publicamente pela ofensa a esposa do dono da Rede TV e a Band estuda providências para o caso Vanessa Camargo.
Até aí tudo bem, mas será que se as pessoas ofendidas não fossem quem são, estaríamos vendo tamanha indignação por parte da Band e de alguns jornais?
Sim, pois, a cantora Vanessa é casada com o filho de um ex governador do Espírito Santo, influente o bastante para exigir e obter alguma retração e a esposa do dono da Rede TV é do ramo e fala direto com quem manda.
Não quero dizer com isto que elas não possam exigir uma retratação a altura. Elas podem, tem o direito e devem sim, exigir e obter a retratação devida, mas pena que isto só venha a ocorrer para elas, por força, principalmente, da influência que possuem. 
Muitos ao longo destes anos foram os ofendidos pelas baixarias de programas como o finado Casseta e Planeta, Pânico na TV, CQC em seus piores momentos e outros que agora não me recordo e nada foi feito, muito pelo contrário, se utilizavam do argumento de que a liberdade de escolha do espectador era à solução para estas queixas.
Pelo visto, agora, o feitiço virou contra o feiticeiro.
Um abraço.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Música e Pirataria

"Embora a indústria fonográfica reclame sobre as perdas causadas pela pirataria – queda nos lucros e consequente redução dos empregos -, os números mostram que o negócio está longe do final. Pesquisas da Federação da Indústria Fonográfica em 2010 mostram que a música ainda movimenta uma indústria bilionária – foram US$ 168 bilhões de lucro só no ano passado. E os direitos autorais correspondem a uma parcela pequena desse bolo: apenas US$ 1,7 bilhões.'

O texto acima foi tirado do blog P2P, ancorado no site do Estadão e assinado por Tatiana de Mello Dias. Nele fica claro que o sujeito que cria é  o que menos ganha.
Em post anterior, coloquei que a questão da pirataria pode ser minimizada se os preços de venda de CDs e DVDs forem revistos para baixo, através de uma ampla reformulaçào e diminuição da cadeia de "ganhadores" que agem como intermediários entre a criação e a população.
A enorme diferença entre o que se arrecada e o que é pago como direito autoral parace validar esta ideia.
O sujeito que cria, merece remuneração e nos que consumimos, merecemos pagar menos para termos mais.
Um abraço.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

STF ou Congresso? Nenhum dos dois, CNJ !!!

Nos jornais da noite de hoje vejo que o Supremo Tribunal Federal - STF recuou temporariamente do objetivo de cercear a ação do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, que através de sua procuradora Eliana Calmon, abriu a discussão sobre a necessidade do nosso judiciário se atualizar e agir com transparência para coibir práticas ilegais de seus membros.
Junto com esta nota,  veio outra mostrando o nosso Congresso se preparando para votar uma emenda contitucional que preservaria os poderes do CNJ, evitando assim a ação cerceadora do STF.
O curioso é que a manifestação dos nossos congressistas vem em um momento bem "oportuno", já que o  STF deve votar a constitucionalidade da lei da Ficha Limpa, que completou 1 ano, em breve. E as manifestações se fazem inclusive com declarações de que se tem de ter ficha limpa no congresso tem de haver no judiciário também.
Para mim, pobre cidadão, distante do país das maravilhas que é Brasilia, este discurso de ficha limpa pra lá igual a de cá, parece na verdade, um recado meio velado, mais ou menos assim: se nös tivermos de nos comportar, vocês também terão.
Acho que o STF tem de parar com este falso pudor de donzela ofendida e cair na real, atuando de forma transparente, sem a atual desconecção com a sociedade e efetivamente coibindo os desvios de condutas existentes e o nosso congresso, deve deixar de ser hipócrita e leviano, pois ser "limpo" é sim um fator primordial, essencial para se atuar na vida pública.
Parabéns à procuradora do CNJ, Eliana Calmon, por não se permitir calar e nos apresentar este tema para debate.
Um abraço.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Politicos, Juízes e Burocratas em: Outra Semana Dura de Aturar.

A europa quase ruindo, Obama no sufoco com os EUA em uma crise sem tamanho e sem uma perspectiva real no curto e médio prazo, a inflação no Brasil ameaçando escapar com alta do dolar, juros astronômicos e coisas mais e, os nossos politicos e magistrados, discutindo aumentos de salários e de impostos como se aqui fosse Pasárgada, onde tudo pode apenas por ser amigo do rei.
Quando esses caras de pau vão parar de agir de forma inconsequente e se ater a realidade de um País que precisa ser cuidado e menos espoliado para crescer e beneficiar a todos? Quanto tempo ainda falta para essses senhores e senhoras abandonarem o egoísmo com que avaliam suas supostas necessidades em prol da nação que lhes sustenta e acolhe?
O encontro contra a corrupção, no centro do Rio, hoje, foi um pequeno alento, pois nos coloca como responsáveis por por um freio nisto, mas demosntra também o quanto estamos esgotados com o papel representado atualmente por estes nossos tristes representantes, estejam eles no legislativo, judiciário ou executivo.
Um abraço.

sábado, 17 de setembro de 2011

Poesia: Vinicius de Moraes

O riso

Aquele riso foi o canto célebre
Da primeira estrela, em vão.
Milagre de primavera intacta
No sepulcro de neve
Rosa aberta ao vento, breve
Muito breve...

Não, aquele riso foi o canto célebre
Alta melodia imóvel
Gorjeio de fonte núbil
Apenas brotada, na treva...
Fonte de lábios (hora
Extremamente mágica do silêncio das aves).

Oh, música entre pétalas
Não afugentes meu amor!
Mistério maior é o sono
Se de súbito não se ouve o riso na noite.


Poema publicado no livro Poemas, Sonetos e Baladas de 1946 e obtido no site oficial do autor em
 http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/article.php3?id_article=119

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

De Sergio.Buarque@edu para Dilma@gov


ELIO GASPARI - FOLHA DE S. PAULO - 14/09/2011

Companheira Dilma, 
Veja o que fizeram comigo. A Prefeitura do Rio deu meu nome a uma escola municipal da Barra da Tijuca, e ela foi a última colocada na lista de desempenho dos colégios da cidade. Fez 467 pontos, contra 761 do campeão (o São Bento) e 553 da média nacional. Meu primeiro impulso foi escrever ao prefeito Eduardo Paes repetindo-lhe um pedido do meu filho: "Pai, afasta de mim esse cálice". Tire o meu nome desse pecado. O Evaristo de Moraes, que está aqui comigo, lembrou que proibiu que dessem seu nome a presídios.
Criminalista, não queria ser associado a misérias. Você mesma viveu o absurdo de ser uma das detentas de um presídio chamado Tiradentes. Escrevo-lhe para que leve minha zanga ao prefeito. Ele tem medo de você.
Gastei meus primeiros 80 anos estudando nosso país, a vida e lecionando. Daqui, vi o que aconteceu com a repórter Cibelle Brito quando ela quis saber porque a minha escola foi reprovada. Dois professores trocaram algumas palavras com ela, mas não quiseram dizer seus nomes. Só os alunos falaram, queixando-se.
Companheira, olhe para a Escola Municipal Sérgio Buarque de Hollanda com atenção. Está mal conservada e os professores reclamam dos salários, mas há algo mais profundo. É a condição dos "desterrados em nossa terra". Os moradores daquele pedaço da Barra da Tijuca desterraram seus filhos para bons colégios, em outros bairros. Quem estuda lá são os desterrados de outras localidades, mais pobres.
Outro dia o Darcy Ribeiro (sempre encantado pela Leila Diniz) ria do desconforto causado na burocracia educacional pelas avaliações dos desempenhos das escolas. Os americanos transformaram o desempenho em pedra angular de seu sistema. Copiamos. Agora os americanos começam a criticar essa aferição, falamos em destruí-la. Tudo ou nada. Não entra no debate o absurdo de escolas que não servem aos moradores de suas localidades. A aferição é apenas uma medida. Sem mais nada, nada é. Sabendo que citar Sérgio Buarque dignifica qualquer texto, cito-me: "De todas as formas de evasão da realidade, a crença mágica no poder das ideias pareceu-nos a mais dignificante em nossa adolescência política e social".
Para que não se diga que estou num exercício livresco, faço-lhe uma proposta. Continuem a dar o nome dos outros a escolas, mas a partir de hoje, toda vez que um colégio ficar em último lugar no Enem, abaixo da média nacional, a homenagem será suspensa temporariamente, e a instituição, rebatizada com o nome do prefeito ou do governador. (No caso de escolas federais, com o seu.) Assim, peço à garotada da "Sérgio Buarque de Hollanda" que não queiram mal a este velho fuçador de documentos, mas, a partir de hoje, digam que estudam na Escola Municipal Eduardo Paes.
Despeço-me desejando-lhe um bom governo, certo de que este fundador do PT ainda não tem motivos para rasgar a carteirinha (nº 003). Passaram-se 75 anos da publicação do meu "Raízes do Brasil" e, felizmente, posso dizer que a democracia, no Brasil, já não é "um lamentável mal-entendido".
Sérgio Buarque de Hollanda

O texto imperdível acima é de autoria do colunista Elio Gaspari e foi publicado no jornal Folha de Sào Paulo de hoje.